A chamada Cerca Velha ficou concluída no século XIV e abrangia um burgo de urbanismo ortogonal com uma “rua direita” e respetivas travessas, que corresponde ao núcleo primitivo da cidade de Lagos conhecido como Viladentro. A muralha renascentista, conhecida como Cerca Nova, cujo plano global foi traçado na primeira metade do século XVI, incorporou no seu perímetro abaluartado as duas paróquias da Cidade, Santa Maria e São Sebastião. Esta obra foi impulsionada durante o reinado de D. João III e concluída na primeira metade do século XVII.
Baluarte da Porta da Vila ou de Santa Maria da Graça
Refere-se à Igreja da Santa Maria da Graça. 1º baluarte da Nova Cerca, adaptado às novas características da artilharia e cuja forma e localização, num ponto de cota elevada sobranceiro à cidade, permite um controlo total da muralha e área abrangente. De planta poligonal, situado no ângulo SE. da Nova Cerca, do lado terra. Tem 3 orelhões com cunhais em pedra aparelhada. Acesso à plataforma do topo através de rampa com alguns degraus. Parapeito com aberturas para artilharia e canhoneiras.


Edifício construído em 1924, partilha com o Centro de Ciência Viva uma magnífica panorâmica sobre o plano de água da doca pesca, a avenida e a baía de Lagos.
Arquitectura religiosa, manuelina e barroca. Igreja de planta longitudinal, com corpo rectangular de nave única e cabeceira quadrangular. Na parede de topo ostenta um arco triunfal pleno ladeado por dois altares. Capela-mor coberta com tecto de madeira com perfil de abóbada de berço, possuindo um retábulo em talha dourada, com colunas salomónicas. Portal principal manuelino em arco pleno de intradorso profusamente decorado por motivos entrelaçados, com um elegante cairel ocupando toda a bandeira do arco.
Classificada como Monumento Nacional desde 1924, é o edifício religioso de maior impacto visual em toda a cidade. Situa-se no local da anterior Ermida de N. Sra. da Conceição, edificada em 1325 e que no século XV era já Sede de Freguesia. A partir de 1463 a Ermida foi ampliada sob o patrocínio do Bispo do Algarve D. João de Mello, vindo a ser transformada em Igreja em 1490, altura em que mudou de orago, passando a ser dedicada a São Sebastião, na crença que este santo ajudaria a combater os surtos de cólera que assolavam frequentemente esta região. Apresenta um portal axial de estilo Renascentista e uma porta lateral referenciada como sendo um dos primeiros sinais da Renascença no Algarve, tendo esta sido a entrada principal da anterior ermida.